sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ficadica: The Wombats (2007) Proudly Present... A Guide To Love, Loss and Desperation

Em 2007 o The Wombats, trio pop de Liverpool, lançou Proudly Present... A Guide To Love, Loss and Desperation, disco descomunalmente excitante.

O repertório é pop, mas é cantado com vocal de bandas de rock de garagem. Todo o disco narra relacionamentos que em sua maioria não deram certo e tem uma veia depressiva nas letras, é verdade, mas acho que nem o Arctic Monkeys chegou a esse nível de equilíbrio entre pop, rock e depressão. "
Let's Dance To Joy Division" é uma composição genial que diz: "Vamos dançar Joy Division e celebrar a ironia".

Na média de notas do Metacritic, o disco está classificado com 65 de 100. Dos reviews recolhidos para a média, nenhuma está abaixo de 50. Já está entre minhas bandas favoritas.


Resenha: Gomez (2009) A New Tide

Se você entra em um portal de música e ele te apresenta uma banda nova, logo você vai querer saber do que se trata antes de se dar ao trabalho de ouvir. Hoje em dia muito se fala em música indie, que parece um vírus. Afetou a música, afetou a moda, e virou para alguns, até estilo de vida. Não tenho nada contra essa expressão, acho até que serve (nos dias de hoje) para classificar algo atual, de frescor ou até mesmo inventivo. No caso do Gomez, banda britânica que nasceu nos anos 90, hoje recebe esse título de forma injusta, mas que não pode fugir dessa escravidão dos rótulos. Taxada como indie rock (em 1997 esse termo ainda não existia), o Gomez faz uma mistura de ritmos, coisa que eu já repreendi em algumas resenhas, mas no caso da banda de Ian Ball o buraco é mais embaixo.

Não é facil produzir um disco eclético, e pra perpetuar tal feito o Gomez chamou o americano Brian Deck, que já produziu Iron & Wine e o lindo Not Animal do Margot and The Nuclear So and So's. Deck ajudou a banda na difícil tarefa de agradar aos fãs com um novo trabalho e ainda por cima conseguiu bolar um disco absolutamente maduro que contém de folk a eletrônico, uma façanha que jorra beleza a cada faixa.

A New Tide agradou a crítica que tanto elogia a que possivelmente é o ponto alto do disco, "Airstream Driver", mas o que chamou minha atenção foi a incrível dobradinha de "Win Park Slope" para "Bone Tired". Os riffs de "Mix" que abre o projeto, ou quando o folk come solto logo na segunda faixa "Little Pieces" contribuem para o disco mais inventivo da banda desde, segundo os fãs, In Our Gun de 2002.

Se o sucesso do disco deve-se a Brian Deck ou não, o que importa é que A New Tide é um ótimo trabalho.
Já que é pra ser rotulado, Gomez mostra como ser indie com sabedoria.



» Avaliação: 8.0

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ficadica: Pale Sunday (2010) Shooting Star


O novo trabalho do Pale Sunday (banda de Jardinópolis - SP) é o EP Shooting Star, lançado depois de 5 anos de jujum desde Summertime e mais uma vez pelo selo americano Matinné Records. As melodias são lindas e quando Luis Gustavo de Paula (o vocalista também desenha as incríveis capas) lhes dá letras, soam melancólicas e frágeis, ossos do ofício, o "disquinho" é sólido como uma rocha e "Before I Found You" é um bom exemplo. A banda tenta enrolar os fãs com apenas 4 faixas, entretanto o que importa é que eles continuam em plena forma. Vale muito a pena conferir.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Resenha: Os Olhos Sem Rosto (1960) Georges Franju

Na primeira cena de Os Olhos Sem Rostos (Les Yeux Sans Visage, 1960), quando a câmera ilumina impressionantemente árvores aparentemente sem vida numa estrada isolada na noite, vemos que o filme entregará uma estética impecável. Rejeitado pela crítica na época de seu lançamento, ele ganhou espaço e prestígio com o passar dos anos, sendo hoje uma obra-prima absoluta do horror. O filme francês deve seu requinte ao fotógrafo alemão Eugen Schüfftans, que mergulha o filme num branco lindo de morrer impermeabilizado pelo preto junto aos cenários (principalmente a mansão do Dr. Génessier em seu interior) imponentes e sofisticados.

O roteiro fantástico narra a apavorante história de um cirurgião que se torna um assassino frio em série com ajuda de sua assistente. Com o desenrolar dos fatos, descobrimos que tudo isso teve início num acidente de carro que desfigurou o rosto de Christine, sua filha. Ele dirigia o carro e agora vive atormentado pela culpa desenvolvendo então, uma técnica de transplante de rosto, buscando desesperadamente reconstituir a beleza de Christine. Ele obteve êxito em sua assistente Louise, mas o rosto de Christine rejeita os enxertos, levando o médico a matar e mutilar belas jovens, fazendo com que as coisas saiam do controle. Para não levantar suspeitas, ele forja a morte da filha.

Georges Franju dá uma aula de terror, pois não se apóia em nenhum elemento típico do gênero. O rosto desfigurado de Christine só aparece uma vez, assim mesmo desfocado. Franju, muito sofisticado, se utiliza de artifícios invisíveis para criar sua atmosfera macabra. A máscara branca que esconde o rosto da menina, os latidos dos cachorros que são mantidos prisioneiros e outrora foram cobaias do cirurgião latindo incessantemente no porão também contribuem para momentos de gelar a espinha.

A glória do filme deu-se em 2004, quando a Criterion o lançou num DVD irreprochável, com imagens e o áudio restaurados de forma tão límpida que logo sonho com uma edição blu-ray pelo selo americano.

O golpe de mestre se dá quando os fatos deságuam inevitavelmente numa trama policial e o diretor dá corda para o noir se enforcar. Uma saída genial que, após assistir a uma obra assim, de final metafórico e duro de engolir, qualquer um morre feliz. Eu babei em cada quadro.


» Avaliação: 9.0

sábado, 17 de abril de 2010

Resenha: Apanhador Só (2010) Apanhador Só


A sensação que tive ao escutar o primeiro disco (precedido por EP's) do Apanhador Só foi de pura satisfação, algo raro em um disco de rock nacional. O álbum auto intitulado é delicioso aos ouvidos e empolgante com produção de Marcelo Fruet ("Como Num Filme Sem Um Fim", Pública, outro bom disco). Apanhador Só é primo distante de Los Hermanos (sempre uma referência honrosa) ou até mesmo Pública, mas isso é só pra se ter uma base do que estou falando já que a banda gaúcha segue um caminho próprio, buscando beleza harmônica e ela sempre chega.

Começa com "
Um Rei e o Zé" sendo apresentada pela bateria de Rodrigo Pacote. Música simples que flerta descaradamente (muito bem vindo esse flerte) com o samba. "Pouco Importa" é canção curtinha de 8 versos. Na verdade, uma das canções de rock que mais me arrebataram esse ano.

Destaco ainda "
Porta-Retrato", "Balão-de-Vira-Mundo", "Bem Me Leve". Aliás, o disco inteiro. Alexandre Kumpinski, parabéns.

Disco disponível de graça no site oficial da banda.
» Avaliação: 9.0

sexta-feira, 16 de abril de 2010

10 Discos Que Baixei Pela Capa (Parte 2)

Dessa vez o resultado não foi tão proveitoso, não descobri nenhum disco perfeito, mas o saldo final foi bastante positivo.

01 Copter (2008) Can't Help It

Começando com a faixa título curtinha, o Copter fez um disco descontraído que leva a musicalidade a sério. Destaque para Jimmy's Corner. No estilo do Arctic Monkeys.

» Avaliação: 7.0


02 Giraffes? Giraffes! (2007) More Skin With Milk-Mouth

Funciona por ser um EP de apenas 5 músicas. Gostei muito de... peraí, é complicado: I am sh(im)e[r] as you am sh(im)e[r] as you are me and we am I and I are all our together Our collective consciousness' psychogenic fugue. As canções têm melodias simples, não se deixe enganar, mas mergulhadas num math rock bem feito que as deixam aparentemente complexas.

» Avaliação: 7.5

03 As Tall As Lions (2009) You Can't Take It With You

Esse também valeu a pena. Rock alternativo que produz diferentes sensações aos ouvidos.

» Avaliação: 8.5




04 Sequence Pulse (2007) Play Both Ends Against The Middle

Japoneses conseguem harmonia perfeita entre banda de rock experimental pra fisgar o ouvinte na primeira faixa de um disco praticamente instrumental.

» Avaliação: 8.0



05 Superchunk (2009) Leaves In The Gutter

É outro EP de rock. 5 faixas (a última é uma versão acústica da primeira) que derrapam em alguns cantos no vocal desafinado de Mac McCaughan, mas Screw It Up é contagiante.

» Avaliação: 5.0



Álbuns disponíveis no audiogramas.
» Média de avaliações: 7.2

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Resenha: Roberta Sá (2009) Pra Se Ter Alegria (Ao Vivo no Rio)

Não há muito o que falar do disco ao vivo de Roberta Sá lançado em 2009, Pra Se Ter Alegria, gravado no Rio de Janeiro. Tem as melhores músicas dos três Cd's da moça "Sambas e Bossas" (eu o considero parte de sua discografia), "Braseiro" e "Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria" e um lindo samba inédito "Agora Sim" (assinado por ela, Pedro Luis e Carlos Rennó). Vocal irretocável de uma cantora que arrebata corações por onde passa, tanto que seu Braseiro de 2005, quando não é incluído em listas de melhores daquele ano, é apontado como o melhor. Para o DVD, participações nos extras: dois duetos, com Ney Matogrosso em "Peito Vazio" e com Chico Boarque de Holanda em "Mambembe". Apesar de não trazer nada de novo às músicas que foram regravada nesse projeto, Roberta esbanja talento, simpatia e técnica vocal. Vale a pena ouvir os gritos da galera toda vez que ela (en)canta.

» Avaliação: 9.0