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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mat Kearney (2011) Young Love


Estava vendo o Mat Kearney no Jay Leno e meio que babei uns litros com o talento do cara. O áudio estava tão linear e a voz tão segura que duvidei ser ao vivo (mas era). Kearney vem amadurecendo/evoluindo muito ao longo da carreira, seu último trabalho, City Of Black and White é um dos grandes discos do pop e digo sempre que ele é o que o John Mayer deveria ser. Eu particularmente tenho muita preguiça de ouvir John Mayer, sério. Acho ele muita embalagem pra pouco conteúdo. Não é ruim, mas não me convence de ser um grande cantor.

Mat Kearney é o tipo de cantor americano que faz música que consequentemente cai em trilhas sonoras de dramas água com açúcar por conta das letras de fácil assimilação, contudo Kearney é muito maior que tudo isso e tem deixado a galera de orelha em pé. Ano passado só lançou um single, "Head or Your Heart" e nenhum disco, até que divulgou que seu novo álbum estaria sendo gravado, intitulado "Young Love". De acordo com o próprio Kearney, o título se refere a um amor prematuro e inocente como ele descreve de forma humorada em
"Young Dumd And In Love": "I said, “Have we met before?” \ She said, “No, it’s only noon.” \ Uh oh… to be young and dumb and in love \ Baby, you got me ten feet off the ground \ I’m talking too much, and you don’t make a sound..."

O primeiro single do disco, "Hey Mama" refere-se à sua esposa e figurinista, Annie. Kerney que estudou Literatura é o romantismo em pessoa, e o disco é permeado por baladas açucaradas que gritam letras bem escritas. Seu novo álbum está no terceiro dia consecutivo em primeiro lugar no top albums do iTunes e estou feliz por ele. O cara merece tudo de bom, esperei esse disco contando os dias nos dedos e a recompensa veio em belíssimo verde fluorescente. Disco simples, sincero e com produção encantadora de Robert Marvin e Jason Lehning.

Que "Ships In The Night" ganhe o mundo.

» Avaliação: 8.5

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O sueco magro.



No post abaixo eu falei sobre essa história de bandas que não se dão mais ao luxo de criar uma carreira, e sim lançar projetos paralelos. Aconteceu com uma das minhas bandas preferidas, o The Perishers que foi encostado e o vocalista Ola Klüft lançou carreira solo sob o pseudônimo "A Lanky Swede". O engraçado é que é a mesma coisa do The Perishers, com melodias redondinhas e o ar bucólico. A mesma coisa.


Belo trabalho, mas não entendo por que colocar a banda de molho e lançar mais do mesmo disfarçado de novo.

domingo, 3 de abril de 2011

What did you expect from The Vaccines?



E o The Vaccines? Finalmente o disco saiu e o fogo abaixou deixando claro que não se deve confiar em burbúrios de sites de música, mas não é que dessa vez eles estavam certos? O The Vaccines é realmente uma banda inglesa do caralho que finalmente lançou seu debut com no mínimo meia dúzia de faixas grudentas.

É o velho rock de menino pra menina, mas é também delicioso. Ouvi alguma coisa que foi solta pelos garotos antes do lançamento do álbum e gostei muito e a imprensa dizer que é a salvação do rock é um tanto quanto exagero, contudo mesmo o The Vaccines bebendo de fontes que a maioria das bandas bebe que é a regressão às décadas passadas, eles foram para o fim dos 70, o pós-punk e lançaram um desafio: "What did you expect from The Vaccines?" O bicho pegou. O The Vaccines vem com essa ousadia logo quando a banda mais famigerada do início da década volta de um jejum de 4 anos, o Strokes. Davi tentando desafiar o gigante novamente.

O resultado é positivo, digo logo sem demora. O disco é ensolarado e abre uma estação de singles românticos e viciantes como "If You Wanna", "Blow It Up", "Post Break-Up Sex" e "Wreckin' Bar". Disco curto e sem muita falação é do mesmo nível que o "Under Cover Of Darkness" do Strokes. O disco da turma do Casablanca parece estar apostando fichas, se lançando no mercado como medidor de aceitação mesmo com uma legião que jura apoio de pés juntos. É muito mais prático lançar projetos diferentes a todo o tempo (como faz o Jack White) que tentar consolidar uma banda. Engraçado que o Strokes, que no início dos anos 2000 veio pra acabar com a chatice que começou na segunda metade da década noventista, chegou de jaqueta e calça apertadinha sem fazer muita novidade. Na verdade o que aconteceu foi o mesmo que com o The Vacinnes: frescor e malandragem.
 
Comparações à parte e ironia ou não, o Vaccines já foi confirmado para o próximo Planeta Terra, assim como aconteceu com o Two Door Cinema Club na última edição. Isso só reforça o fato de que o povo não quer mais saber de som inovador, eles querem sangue novo e o do The Vaccines está cheirando a leite.

P.S.: E a arte "wanna be 70's"?


» Avaliação: 8.0

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ficadica: Freddy Wexler / Freddy and the Dials


Até hoje eu não sei muito quem é Freddy Wexler. Quando o conheci há uns 5 anos atrás no Pure Volume, ele atendia somente por Freddy. Pouco tempo depois veio Freddy and The Dials, sua banda, e assim "ele" passou a ser chamado. Desde quando o conheci que procuro suas músicas na rede e foram anos de busca, desenfreada, em tudo quanto era lugar. Pra falar a verdade, nos últimos 2 anos eu lembrei dele muito pouco e foi assim, de bobeira, que achei as músicas pra download.

Freddy Wexler, como acho que é chamado agora, causa um certo burburinho lá fora, principalmete em New York. É bem cult, tem um fã clube minúsculo e fiel, e tals (o que não é justo - ou é, não sei). Bom demais.

*A raridade está nos comentários.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ficadica: Tapes 'N Tapes (2010) Outside


Banda americana. Indie rock. Nada de novo. Ótimo disco:

domingo, 24 de outubro de 2010

Ficadica: Holger (2010) Sunga

Bom, saiu há um tempo, mas com a correria só pude conferir o trabalho de estréia do Holger agora. Percebi uma semelhança com vitamina de fruta e essa vibe de rock para dancefloor, sendo toda a gama instrumental passada em peneira tropical. A Trama lançou o disco no Álbum Virtual para download. Vale muito (mesmo) a pena conferir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Little Manhattan (2005) Mark Levin



Hoje assisti, despretensiosamente, a Little Manhattan (Abc do Amor, se prefrir o horroroso título brasileiro) na Globo. O filme não sai da minha cabeça. Todo mundo que esteja com disposição e entenda um pouquinho de cinema acha lindo (na cotação do IMDB, mais de 5.000 votos garantiram uma média de 7.6/10) e o filme é deveras muito bonito, pés no chão e com uma banda sonora linda demais. Vai de Elvis Presley a Etta James.


01 Only the Strong Survive - Elvis Presley
02 Birdland - Weather Report
03 Kung Fu Fighting - Carl Douglas
04 Younger Yesterday - The Meadows
05 Map Of My Heart - Chad Fischer
06 Lonely Road - Everlast
07 The Very Thought of You - Nat King Cole
08 Love - Matt White
09 At Last - Etta James
10 Love Grows - Freedy Johnston
11 In My Life - Matthew Scannell

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Resenha: Sky Sailing (2010) An Airplane Carried Me To Bed

Acho que quando Adam Young começou a fazer música lá em 2007 jamais imaginou que seu single "Fireflies" venderia horrores. O rapaz que sofria de insônia e passou a fabricar música de seu computador no porão de casa imprimiu isso em "I Live Alone" ("Eu tinha 22 anos, sozinho, sem nada para fazer, e eu não conseguia dormir..."), 9ª faixa de seu novo projeto Sky Sailing.

Owl City projetou Adam para o topo das paradas de música eletrônica dos Estados Unidos e manteve o rapaz em posição curiosamente estimável. Aliás, isso não parece não ter lhe afetado, dando uma pausa no projeto e engatando Sky Sailing, praticamente com a mesma vibe, porém menos cintilante. Adam produz pop afrescalhado, quase irresistível. Dia desses, estava vendo sua página no Last.fm e notei que uma de suas tags era "cute" (???). Daqui uns dias indie vira cute. Ok, o som é fofo.

Ao colocar An Airplane Carried Me To Bed pra tocar, a primeira canção é "Captains of the Sky" pra mostrar a que o disco veio: o projeto é mais orgânico, fortemente puxado para o acústico. O violão dá os primeiros acordes de "Brielle", triste e poética me lembrou um artigo que li sobre a carreira solo de Brandon Flowers, não me lembro onde agora, que apontava as composições de Flowers como música inteligente; complexa, mas acessível. O mesmo pode ser dito de Adam Young. Acho bacana a idéia de fazer de Umbrella Beach (do projeto Owl City) uma versão pop da parábola do filho pródigo. Aliás, Adam Young, como bom cristão, gosta de deixar claro seu partido, mas está a fim mesmo é de ganhar o mundo.

» Avaliação: 7.0

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Resenha: Two Door Cinema Club (2010) Tourist History



Importada da Irlanda, aquele país onde o povo fala inglês com sotaque que só grego entende, o Two Door Cinema Club ("Door" no singular mesmo, propositalmente) lançou o primeiro disco em fevereiro deste ano e só chegou aos meus conhecimentos há poucos meses, quando escutei o single "Something Good Can Work" num Lab da MTV, single este vibrante que junto a "I Can Talk" e "Undercover Martyn" foram lançados antes do disco sair por conta da grande hype televisiva em cima dos garotos. É de espantar tanta atenção a uma banda tão recente até na estrada da vida (formada em 2007), mas onde há fumaça, há fogo.

Causou frisson por onde passou e já vai estar esse ano no Planeta Terra aqui no Brasil. Sorte de quem vai e lasque-se quem não poderá ir (eu!), pois todo esse falatório tem fundamento. Two Door Cinema Club é apaixonante.

Desde Vampire Weekend não se via nada tão bacana e diferente sem ser tão estranho a ponto de cansar rápido. O disco é curto, com apenas 10 canções que farão toda a diferença. Dignas de trilha sonora para um "pé na estrada", enveredam pelas velhas melodias indie de uma forma completamente estilizada a um estilo próprio, xavecando o pop, o eletrônico, o axé e os sintetizadores.

Me fez lembrar da belezura lançada pelo Phoenix ano passado "Wolfgang Amadeus Phoenix". Nesse Tourist History encantei-me por "Do You Wanna It All", disparado a melhor.

Alex Trimble e banda resgatam a boa e velha miscelândia que se fazia no início da década como Strokes e Arctic Monkeys onde Julian Casablancas e Alex Turner faziam um rock diferente de tudo, misturando mundos e fundos e soando simplesmente agradável de se ouvir e prazeroso de se acompanhar. O indie rock hoje anda bem deprê em seus melôs e Two Door não foge à regra ao minuciar riffs ecoados e perfeitos (na verdade onde reside toda a graça desse tipo de banda, mesmo com tantos elementos agregados). Não preciso dizer que foi sucesso entre a crítica especializada e que recomendo quase que obrigatoriamente.

Obrigatoriamente. Sempre bom dizer mais uma vez...


» Avaliação: 9.0

terça-feira, 13 de julho de 2010

Resenha: Mat Kearney (2009) City of Black & White

City of Black and White é disco do americano Mat Kearney, primo pobre do John Mayer. Pra se ter uma idéia, City of Black and White é de uma qualidade tão absurda que salta aos olhos na discografia (não que os antigos sejam ruins) do cantor e compositor que arrancou suspiros da crítica que teve o privilégio ouví-lo, aliás um disco tão perfeitinho que enfeitiça logo nas 4 primeiras canções e uma grande razão pra isso é a versatilidade de Mat: "Bem, aqui vamos nós para ele, três anos depois. Você vai me ajudar a sonhar tudo de novo? Cansado da mesma música que todo mundo está cantando."

Se o disco não imprime novidade, o vocal de Kearney (em momentos, tenho a imprenssão que estou ouvindo Chris Martin) é límpido e de bom gosto, somados aos teclados suaves e guitarras acentuadas. Na maioria das vezes sobre o amor, mesmo que a palavra não apareça, suas melodias são capazes de mudar o dia mostrando o que é um disco pop de verdade. Pra deixar John Mayer com vergonha, sem exagero.

» Avaliação: 10.0

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ficadica: Telecast (2008) Quiet Revolution

No início da semana passada eu estava em abstinência. Precisava de uma banda nova. Recorri ao cenário cristão internacional. Descobri Telecast. A banda americana de indie rock existe desde 2003, mas só conheci agora. Venho despindo esse cd Quiet Revolution (último lançado) a semana inteira e recomendo a qualquer um que curta esse tipo de coisa.

As duas primeiras canções "All Around Me" e "Come Down" são incríveis e o álbum trás o indie rock em toda sua beleza e esplendor. Sensacional.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ficadica: Marina and the Diamonds (2010) The Family Jewels

Marina and the Diamonds levantou minhas antenas na primeira música que eu ouvi no EP lançado ano passado, The Crown Jewels. A música em questão é o carro chefe da cantora "I'm Not a Robot", maravilhosamente produzida e inventiva.

A cantora inglesa produz pop influenciado pelo que há de melhor e pior na música. Os diamantes do nome refere-se aos fãs e pra quem ainda tem dúvidas sobre o nome Marina diz:
"Eu sou uma artista solo, então não posso estar me referindo a uma banda."

A resenha do Move That Jukebox! para
The Family Jewels disse que a voz de Marina é o vilão do disco. Discordo. Marina tem uma voz que jorra novidade, um timbre que vem e fica. Enquanto o bicho pegou nos comentários da postagem eu só tenho uma coisa a dizer: corra e garanta o seu. Se joga que o bagulho é bom.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Resenha: The New Pornographers (2010) Together

É difícil dar atenção a todas bandas que aparecem no cenário alternativo. Não por falta de acessibilidade, já que graças à internet qualquer um pode ser artista atualmente, o que conta é sorte. Os "veteranos" do The New Pornographers lançaram no início desse mês o quinto disco intitulado Together. Sincramente, pra mim não passou de mais um no novo mundinho indie. É até verdade que o grupo faz um som de qualidade, mas não impressiona (passa bem longe). Há três meses atrás a gravadora Matador Records lançou o primeiro single "Your Hands (Together)" fraquíssimo e sem sal.

Pra se arriscar em fazer algo tão tradicional é preciso se esmerar e entregar no mínimo um trabalho irretocável, ou redondo no que propõe. Como não estamos falando de uma banda ruim, algumas boas canções salvam tudo da total mediocridade, como "Silver Jenny Dollar" (uma das duas que não foram compostas pelo frontman Carl Newman), "Sweet Talk, Sweet Talk" e "Valkyrie In The Roller Disco", essa última num dueto encantador entre Kathryn Calder e Newman, marcado por insinuantes arranjos de corda na introdução e teclados tristíssimos.

Vale a pena ouvir? Vale, mas deixa a desejar visto que é um grupo muito superestimado hoje em dia (ora pois, o debut da banda foi no primeiro ano da década). Qualidade não vai faltar, com colaborações de integrantes como Neko Case e Kathryn Calder. The New Pornographers é um grupo que tem muito o que aprender e impressionar.

» Avaliação: 6.0

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ficadica: Alpha Rev (2010) New Morning

De vez em quando a gente dorme em pé de ouvir tanta coisa que tenta ser diferente, muitas vezes sem sucesso. Pra aliviar a tensão, é bom colocar algo simples e de boa qualidade pra tocar. A banda texana Alpha Rev lançou o novo CD mês passado intitulado "New Morning", trabalho primoroso e corretíssimo com produção de David Kahne (já produziu Imogen Heap, New Order, Regina Spektor, entre tantos). Não vou negar que (talvez seja a voz de Casey McPherson) lembra muito Coldplay, mas não tem todos aqueles experimentalismos da corja de Chris Martin.

As melodias, tais como instrumentação e colocação de voz são absolutamente lineares. A banda aposta do terreno seguro e converte isso em algo bom. Não há do que reclamar, todas as músicas são muito bonitas.


Então fica essa dica valiosíssima se você procura algo mais palpável pra fugir um pouco dessa onda massacrante de sons esquisitos do universo alternativo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Resenha: Eels (2010) End Times

Após longos 15 anos, Mr. E lança disco sobre a solidão. Mais do que nunca, seu trabalho está fortemente influenciado pelo blues e embriagado de folk. Tristonho (um divórcio recente estava na memória do compositor), como mostra a canção de abertura "The Beginning", o oitavo álbum do Eels às vezes soa depressivo demais, apesar de muito bem produzido pelo próprio Mr. E. Na segunda metade do álbum, ele tenta se animar tocando "Paradise Blues", mas com uma letra daquela fica difícil. Ele desiste e engata a belíssima "Nowaday".

End Times
é um disco de contemplação, ouve-se para admirar a beleza triste que seu compositor imprimiu ao trabalho e como uma obra que analisa (com muita propriedade e moral) os sentimentos humanos por meio de canções, o disco é poderoso. Muito melhor que Bob Dylan.

"Estávamos nessa viagem de carro,
E eu estava olhando para estas fileiras e fileiras de árvores ao longo da rodovia.
Eu não sei que tipo de árvores, macieiras ou algo assim.
Havia como se fossem milhares e milhares de linhas de um milhão de árvores, cada uma.
E eu escolhi uma árvore em que eu pude ver cerca de oito árvores à sua volta e nessa,
uma linha no meio.

Apenas uma em um bilhão.
E é assim que eu senti."

» Avaliação: 8.5

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Resenha: The Radio Dept. (2010) Clinging To a Scheme

Desde que o The Radio Dept. surgiu, muitos são os gêneros musicais agregados à banda sueca de Lund. Todos dentro do rock alternativo mesmo, o subgênero que mais se encaixa é o dream pop devido à musicalidade sussurrada, inventiva e densa que a banda produz. O disco de estréia, Lesse Matters lançado em 2003 é tudo o que o universo alternativo pediu a Deus, esbanjando talento e criatividade.

Sinceramente amados por seus seguidores, o The Radio Dept. trabalha suas canções sem a ajuda de produtores e grandes estúdios e talvez seja esse um dos motivos de tanta qualidade e identidade musical. Johan Duncanson disse em entrevista ao portal da BBC que quando a banda começou, as pessoas ligadas a ela estavam muito envolvidas com a arte e criando coisas diferentes e que a sonoridade/própria banda era o lado musical dos mesmos. Vindos da terra do mestre Bergman, o banda não canta sueco, mas inglês.

Despreocupados com a maldição do segundo disco e sem a pressão de gravadora a banda lançou em 2006 o segundo disco
Pet Grief, na mesma linha e nível, praticamente irretocável.

Depois de um hiato de 4 anos, a banda retorna esse ano com
Clinging To a Scheme, álbum portador da incrível "Heaven's On Fire", tão comentada na rede pelo sampler que abre a canção: "As pessoas vêem o rock'n'roll como cultura jovem. Quando a cultura jovem torna-se monopololizada o que a juventude deve fazer? Você tem alguma idéia?", alguém responde: "Acho que devemos destruir o processo copioso oco que vem destruindo a cultura da juventude.", e como pra ser boa a canção não poderia viver só disso, bateria associada a um belo trabalho de murmúrio de Johan finalizam a melhor do disco, e o novo trabalho também é mais maduro, pela Labrador Records (hora ou outra tem que ceder), sem rodeios e recheado com doces melodias, a destacar "Domestic Scene" que cumpre o honroso trabalho de primeira faixa. "David" que foi lançado em junho do ano passado aparece lá pro fim de um disco fiel à identidade construída por longos 13 anos e filtrado por uma minimalista gama eletrônica.

Os discos da banda sueca não são esquecíveis, fique sabendo (e as capas são um desfile de beleza e simplicidade precisa). Tantas ramificações de estilo e influências não poderiam passar ilesos em quem quer que seja, para o mal ou para o bem. Fique atento se ainda não conhece, a discografia da banda circula na internet em blogs e sites cult e a crítica, é só elogios.



» Avaliação: 8.5

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Resenha: The School (2010) Loveless Unbeliever

Quando eu descobri o The School há uns 2 anos atrás, me apaixonei imediatamente pelo single Let it Slip que dava nome ao EP. Ouvi incansavelmente por um bom tempo até que esqueci. Foi quando dia desses, em um dos meus rolês pela rede eu soube que o primeiro álbum havia saído, Loveless Unbeliever.

Vinda de Cardiff, pequena cidade do País de Gales, é uma banda de retro-pop que no começo da carreira me encantava mas hoje, o estilo soa irritantemente forçado. Não flui naturalmente como o caso de Zooey Deschanel em She & Him, mas algo fabricado e uma tentativa desesperada de ser uma girl band dos anos 60. O tracklist composto por treze canções produzidas por Ian Catt não são ruins, muito pelo contrário, cumprem corretamente o papel de trazer de volta o pop sessentista. O problema está na pressão de ser o que não é, já que The School não é uma girl band da década perdida e sim uma banda pop de influências retrôs. A capa (forçada) é ridícula, mas o conteúdo é bacana, mais uma vez afirmo, aí fico assim divido entre a cruz e a espada, gosto ou não gosto, amo ou odeio.

Pra abrir o disco a banda pega emprestada a faixa título do EP Let It Slip e faz bonitinho em "
I Love Everything" e "Hoping and Praying", faixas afetadas até a alma que mostram exatamente o "conceito" do grupo. Então tentando esquecer as irritações que o visual me causa, não é justo julgar o conteúdo pela embalagem. O disco é bom.


» Avaliação:
7.5

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ficadica: The Wombats (2007) Proudly Present... A Guide To Love, Loss and Desperation

Em 2007 o The Wombats, trio pop de Liverpool, lançou Proudly Present... A Guide To Love, Loss and Desperation, disco descomunalmente excitante.

O repertório é pop, mas é cantado com vocal de bandas de rock de garagem. Todo o disco narra relacionamentos que em sua maioria não deram certo e tem uma veia depressiva nas letras, é verdade, mas acho que nem o Arctic Monkeys chegou a esse nível de equilíbrio entre pop, rock e depressão. "
Let's Dance To Joy Division" é uma composição genial que diz: "Vamos dançar Joy Division e celebrar a ironia".

Na média de notas do Metacritic, o disco está classificado com 65 de 100. Dos reviews recolhidos para a média, nenhuma está abaixo de 50. Já está entre minhas bandas favoritas.


Resenha: Gomez (2009) A New Tide

Se você entra em um portal de música e ele te apresenta uma banda nova, logo você vai querer saber do que se trata antes de se dar ao trabalho de ouvir. Hoje em dia muito se fala em música indie, que parece um vírus. Afetou a música, afetou a moda, e virou para alguns, até estilo de vida. Não tenho nada contra essa expressão, acho até que serve (nos dias de hoje) para classificar algo atual, de frescor ou até mesmo inventivo. No caso do Gomez, banda britânica que nasceu nos anos 90, hoje recebe esse título de forma injusta, mas que não pode fugir dessa escravidão dos rótulos. Taxada como indie rock (em 1997 esse termo ainda não existia), o Gomez faz uma mistura de ritmos, coisa que eu já repreendi em algumas resenhas, mas no caso da banda de Ian Ball o buraco é mais embaixo.

Não é facil produzir um disco eclético, e pra perpetuar tal feito o Gomez chamou o americano Brian Deck, que já produziu Iron & Wine e o lindo Not Animal do Margot and The Nuclear So and So's. Deck ajudou a banda na difícil tarefa de agradar aos fãs com um novo trabalho e ainda por cima conseguiu bolar um disco absolutamente maduro que contém de folk a eletrônico, uma façanha que jorra beleza a cada faixa.

A New Tide agradou a crítica que tanto elogia a que possivelmente é o ponto alto do disco, "Airstream Driver", mas o que chamou minha atenção foi a incrível dobradinha de "Win Park Slope" para "Bone Tired". Os riffs de "Mix" que abre o projeto, ou quando o folk come solto logo na segunda faixa "Little Pieces" contribuem para o disco mais inventivo da banda desde, segundo os fãs, In Our Gun de 2002.

Se o sucesso do disco deve-se a Brian Deck ou não, o que importa é que A New Tide é um ótimo trabalho.
Já que é pra ser rotulado, Gomez mostra como ser indie com sabedoria.



» Avaliação: 8.0

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ficadica: Pale Sunday (2010) Shooting Star


O novo trabalho do Pale Sunday (banda de Jardinópolis - SP) é o EP Shooting Star, lançado depois de 5 anos de jujum desde Summertime e mais uma vez pelo selo americano Matinné Records. As melodias são lindas e quando Luis Gustavo de Paula (o vocalista também desenha as incríveis capas) lhes dá letras, soam melancólicas e frágeis, ossos do ofício, o "disquinho" é sólido como uma rocha e "Before I Found You" é um bom exemplo. A banda tenta enrolar os fãs com apenas 4 faixas, entretanto o que importa é que eles continuam em plena forma. Vale muito a pena conferir.