sábado, 10 de abril de 2010

O Monstro da Lagoa Negra (1954) Jack Arnold


Muitos são os motivos que tornam The Creature From The Black Lagoon um dos melhores (se não o melhor) filmes de ficção científica da década de 50. Dos estúdios da Universal veio essa pequena obra-prima, um dos últimos suspiros do estúdio produzido com baixíssimo orçamento, sem sombra de dúvida muito criativo e rigoroso ao cumprir seu papel no gênero de horror.

Na Amazônia, um grupo de pesquisadores encontram por acaso uma criatura anfíbia aterrorizante que assim como a do clásssico King Kong dos anos 30, se apaixona pela mocinha. No filme de Arnold esse sentimento não tem tratamento especial, é apenas sugerido, dando à trama um tom ainda mais interessante. A fotografia sub-aquática é soberba e os takes são longos e tensos, que na verdade é um dos segredos, o uso de uma trilha genial (sei não, mas acho que o tema de Tubarão começou aqui) em sequências sob águas escuras em belo preto-e-branco à caça de um monstro que aparece em cena sem escrupulos.

William E. Snyder com sua câmera alterada fotografou sequências inesquecíveis como a briga entre o monstro e Mark no fundo do lago negro. Com tantas qualidades seus defeitos podem facilmente ser ingnorados e um deles seria o excesso de clichês, o que num filme B dos anos 50 tem até um certo charme.

Enquanto A Noiva do Monstro de Ed Wood é possivelmente o pior, o de Jack Arnold é possivelmente o melhor.


» Avaliação: 8.5

sexta-feira, 9 de abril de 2010

10 Discos Que Baixei Pela Capa (Parte 1)

Tenho o péssimo hábito de julgar livros e discos pela capa. Eu conheço o ditado, mas como designer não consigo me controlar. Dia desses tava dando um rolê no audiogramas e me apaixonei por algumas capas, então baixei pra ver no que dava. Aí vai os discos que baixei, ouvi com muita atenção e veja o que deu:

01 Letuce (2009) Plano de Fuga Para Cima dos Outros e de Mim

"Letuce é duo entre namorados cariocas. Letícia e Lucas em primeiro disco, bom e interessante. Samba intimista. Ballet de Centopéia é a melhor."

» Avaliação: 7.0

02 Sharks Keep Moving (1999) Sharks Keep Moving

"Banda indie rock de Seattle. Faixas instrumentais bem elaboradas, tanto que uma delas é a melhor, Second Instrumental. Tirando a introdução um pouco demorada, não há muito o que reclamar."

» Avaliação: 7.5

03 Texas Pandaa (2007) Days

"Nos comentários do post no audiogramas há comparações ao The Cardigans. Lembra longe, bem longe. Disco melodicamente perfeito. Sway e And What Flows são lindas."

»
Avaliação:
8.5


04
Imelda May (2008) Love Tattoo

"O disco da irlandesa Imelda May é daqueles que te derrubam no primeiro verso cantado. Uma qualidade absurda de jazz e rockabilly, este último impresso de forma magistral em Wild About My Loving."

» Avaliação: 10.0

05 Marvins Revolt (2009) Patrolling The Heights

"Discaço!"

» Avaliação: 8.5






Álbuns disponíveis no audiogramas.

» Média de avaliações: 8.3

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Resenha: Number One Gun (2010) To The Secrets & Knowledge

Mais um disco de rock cristão está à disposição dos caçadores de recompensas, e quem encontrar To The Secrets & Knowledge do Number One Gun vai estar, por um bom tempo, munido de boa música caso mais nada de bom apareça em 2010. O quarto disco da banda californiana de indie rock aposta em experimentalismos que não são mais experimentais no rock, mas na carreira da banda, e concebem um disco sólido e maduro.

A melhor música abre o álbum, "The Victory" que abusa dos vocais fantasmas que ecoam numa melodia linda que também conta com arranjos eletrônicos de primeira. "Noises" queria muito ser à capela, e passa essa sensação de ausência de instrumentos. Ótima. O álgum ainda passa pela acústica em "The People" e fecha com "Don't Stop Believing", que me lebrou um hit dos anos 80 do qual eu não recordo o nome. Elegante.

Toby Mac foi um dos primeiros a lançar algo em 2010 e me fez pensar que o ano seria desastroso, mas ouvindo To The Secrets and Knowledge, deposito confiança na música cristã internacional e que no fim da década ele seja lembrado como um dos melhores.


» Avaliação: 8.5

Ficadica: Volantes (2009) Sobre Gostar e Esperar (EP)

Do sul do país saiu Volantes, banda de indie rock eletrônico que lançou em 2009 o primeiro trabalho, um EP com 7 faixas que não trás muita novidade, é verdade, mas respira sinceridade e transpira qualidade. Beira a perfeição.


Download gratuito e legal na Trama Virtual.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Resenha: Capítulo 27 (2007) J. P. Schaefer + John Lennon e Yoko Ono (1980) Double Fantasy

O filme independente de J. P. Schaefer narra as horas decisivas da vida do assassino de John Lennon.
Muito se falou sobre o filme, muito se falou da (impressionante) performance de Jared Leto com 30kg a mais, mas pouco se falou dos detalhes que definem Capítulo 27 como um grande filme. Um fato já basta:

Em frente ao edifício Dakota perto do Central Park, Mark conversa com sua nova amiga Jude e acaba de conhecer Paul, o fotógrafo (aquele lá). Entre conversas esquisitas (de Mark, claro) alguém diz que foi naquele mesmo edifício que havia sido rodado
O Bebê de Rosemary. Jude diz que não gostou do filme. "Por quê" pergunta Paul "...é Polanski". "É muito parado, só fica bom no final", responde Jude. Mark faz uma ligação entre essas coincidências e a música Helter Skelter. O papo acaba com a paranóia.

Capítulo 27 foi acusado de prolixidade e falta de fluidez. Conta a história de Mark David Chapman, um homen que resolveu matar Lennon porque achava que o livro "O Apanhador no Campo de Centeio" lhe revelou isto. Sua vida era uma merda e ele era esquisito. Temos um filme frio, distante do espectador, esquisito e que só fica bom no final. Não é justo?

» Avaliação: 7.0

Mark comprou Double Fantasy com a indicação de Jude. Dito disco que Lennon autografou antes de morrer e que ficou debaixo dos braços de Mark durante toda sua "estadia" em frente ao Dakota à espera do ídolo. Acho que ele nem ouviu o disco antes do assassinato.


John Lennon e Yoko Ono (1980) Double Fantasy

Gênios são incompreendidos (pobres coitados). John Lennon, a suposta genialidade por trás dos Beatles não fugiu à regra mesmo sendo "transparente". Seu último disco solo Double Fantasy, lançado no fim de 1980, gravado à beira da breguice psocodélica dos anos 80, foi salvo pelo gongo. Um disco de pop/rock (aquele bom e velho "roquenróu") cheio de samplers e músicas interessantes.

Na época, a participação de Yoko foi criticada, mas remo contra a maré e digo que o melhor do disco está no que ela faz, sendo assim, destaco "
Yes, I'm Your Angel" e "Kiss Kiss Kiss" que supostamente canta uma relação sexual que só chegará ao orgasmo com beijos. Amo também "Woman", "Beautiful Boys" no timbre estranho e desafinado de Yoko, e "(Just Like) Starting Over" que faz a frente da playlist, na voz de Lennon.

Double Fantasy foi feito a dois, relacionado ao amor, à família, e triste, inegavelmente triste apesar da produção extrovertida. Lindo.

» Avaliação: 8.5

sábado, 3 de abril de 2010

(mini) Resenha: Alice no País das Maravilhas (1903) Cecil Hepworth e Percy Snow


A primeira adaptação do conto que Lewis Carroll escreveu em 1864 para o cinema, foi feita na Inglaterra, por Cecil Hepworth e Percy Stow em 1903. A obra, muda, feita nos primeiros anos da sétima arte tem 8 minutos e meio e mostra que, mesmo que contada às pressas, a história de Alice no País das Maravilhas em vídeo se torna tediosa. A película é legal, superior à que Walt Disney fez em animação, figurinos e cenografia são bons, mas só me resta esperar pela visão de Burton do universo de Carrol.


» Avaliação: 6.0

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Análise: Justin Bieber (2010) My World 2.0

Dia desses li um artigo na internet que nos mandava ficar atentos em Justin Bieber no ano de 2010. Não é pra menos, JB (sigla que perdeu significado de Jonas Brothers) acumulou um sucesso atrás do outro. Um choque para os especialistas na área musical já que o mini rapper tem voz muito infantilesca e surgiu sem prévio aviso. Na época de seu primeiro disco (na verdade era um EP) ele era menor que o violão e cantava de galo. Era engraçadinho, cativou a muitos e erros graves foram perdoados (o disco é muito irregular). O problema é que JB completou 16 anos no último 1° de março, já é quase um rapaz e como tal tentou reparar seus erros com o lançamento de My World 2.0. Mesmo sendo um disco imperfeito (ainda com certas considerações), seu novo trabalho lançado há muito pouco (semana passada) tem qualidade vocal e energética, primeiro erro reparado.

Começando pela capa invocada, Justin Bieber abre o disco com "Baby", música bem produzida que deveria servir de respaldo para o cantor. É um caminho seguro para sua voz que alcança contornos impressionantes em toda a execução. Participação do Ludacris.

"Runaway Love", deficiente, conta com um vocal muito agudo de Bieber, mas a música é bem interpretada e melodia de interessante tem para dar, vender e arrastar de enchada, culpa do ótimo arranjo.


O novo single é "Never Let You Go", faixa 06, de melodia fácil e grudenta.

Sou totalmente contra excessos de featurings em um CD, mas a maior surpresa de My World 2.0 está em "Eenie Meenie" com participação de Sean Kingston. Quando li na contra-capa pensei "isso não vai prestar!", mas é bom ser surpreendido. A música é boa e está no nível de um hit do Akon (com produção de David Guetta, acrescentaria). Farofa das boas.


Justin Bieber tropeça (e cai) na última faixa "That Should Be Me", horrorosa.

Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, já dizia o tio Ben. Bieber passará nos próximos meses por uma fase complicada na vida de um cantor juvenil, a mudança de voz. Seu trabalho continua sintético até a raíz dos cabelos. Evoluiu, mas continua a dever. Torço pra que ele se torne como seu ídolo Usher, um rapper/cantor de R&B respeitado que começou a trabalhar muito cedo e enfrentou duras críticas com o apoio dos fãs.

Afinal, nós curtimos tanta porcaria da laia do MGMT por exemplo, e criticamos JB só por ser material de consumo dos adolescentes? Não me parece justo.